quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Conferência - Molefi Kete Asante

O ser humano nos tempos pós-modernistas tem medo de perder a sua identidade, identidade esta, que está relacionada com a liberdade individual de cada Homem. Na Europa e América, o controlo de pessoas destrói esta ideia de liberdade e identidade, para além de ir contra várias leis. Sabemos que os intelectuais e as grandes mentes de pensamento derrubaram barreiras, mas muitas vezes também criaram outras. Viveu-se nos EUA um dejá-vu relativamente às últimas eleições presidenciais. O discurso feito pelos políticos de valorização do sentido de Nação relembrou os discursos feitos no séc. XVII, que afinal, não está assim tão distante do séc. XXI.
Com alguns pensamentos não derrubados, surge ainda a ideia de racismo principalmente em países nos quais, não faz sentido visto que, se trata de países com várias nacionalidades e sem uma identidade racial própria, como é o caso dos EUA. O racismo actual e todo o discurso a favor desta crença de superioridade são dirigidos aos mexicanos. A lei da imigração americana tem sido alvo de ataques pelo seu fundamento claramente racista. As pessoas sabem e pensam, mas porque ouviram e não porque realmente sabem, o teor da notícia. A nossa linguagem e o nosso pensamento são valorizados mesmo que digam que não querem ouvir, pois a pessoa já está a ouvir. Leonardo Fibonacci trouxe os números árabes que substituíram os romanos, mas foi visto como um bruxo e preso, e só agora agradecemos o seu contributo.
Não foi há muito tempo que negros e brancos não podiam estar juntos. Foram criadas leis para proibirem precisamente os cidadãos negros de estar, andar, comer, viver nos mesmos sítios que um cidadão branco. Que leis devem proibir alguém de fazer ou andar onde e como ele quer? O argumento dos racistas é principalmente o de que um negro não tem os mesmos direitos ou privilégios, e que nem deve ter ambições que um branco. A sociedade mantém viva a ideia de que há Homens melhores que outros, cidadãos de primeira e de segunda.
O discurso sobre a construção da mesquita perto do ground zero é uma consequência deste género de pensamento. A questão de liberdade de culto é, então colocada em causa e o governo não sabia o que fazer por ser uma atitude da maioria. A ideia de racismo foi sempre uma ideia de massas. Os movimentos racistas, anti-semitas e agora os movimentos homofóbicos são ideias da massa, e isto vive-se ainda nos EUA, o país da liberdade e respeito. Vivemos numa sociedade para as massas ou para o Homem?
O 11 de Setembro trouxe um novo sentido à palavra terror, e por isso às palavras massas e Homem. As pessoas vivem atormentadas com um medo de que algo lhes aconteça. É como estar numa estrada de montanha e termos um camião a ocupar-nos a estrada toda - vivemos com medo de cairmos nessa ravina. Os terroristas têm medo deles próprios e passam esse medo a outros, pois devem odiar todos para fazer explodir sem ver raça, religião, género.
Os brancos americanos que continuam a questionar a nacionalidade de Obama questionam-se porque a visão de Obama do serviço de saúde é europeizada, porque a sua visão de ajudar os outros é africanizada. Como poderá este “preto” governar a América se não é americano? Estes americanos pensam que estar um negro num lugar que deveria pertencer a um branco dá mais liberdade a quem, no seu entender, não merece – afro-americanos e latinos. Características pessoais como a cor e raça fazem com que sejamos caracterizados como perigosos ou incapazes de nos integramos naquela sociedade. Um muçulmano é visto como terrorista, um preto é visto como um gangster.
Porque é que um Homem poderá ser tratado de forma inferior? Porque é que os Homens começam a ter de esconder quem realmente são? Jovens neo-nazis que defendiam os ideais da raça pura de Hitler (ariana), ficaram a saber que eram judeus e que os seus antepassados tinham alterado o nome para protegerem a família dos nazis.
Com as redes sociais podemos expor as nossas identidades, as nossas opiniões sem medo de sermos criticados ou repudiados. As redes sociais tornaram-se um local onde encontramos novas culturas, novas pessoas e novas opiniões. Há uma maior abertura de mentes e por isso, podemos expor o que nos vai na cabeça e na alma, não é verdade?
Não podemos só ouvir a nossa opinião ou não seremos sãos mentalmente. É necessário ouvir os outros e ter sempre em conta outras opiniões. George W. Bush ouvia-se a si próprio recusando-se a ouvir outros e não é preciso dizer no que isso deu.
Ódio e racismo nascem na não-aceitação de outras opiniões, e de outras culturas. Será este o futuro da Humanidade? Vamos ou não ser governos por ditadores opressores da liberdade de expressão e dos direitos do Homem? Só a nós cabe decidir, só a tu podes mudar o futuro!!

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