quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"A Rede Social"

    Como tinhamos prometido ontem, o FragmentosA4 foi à antestreia do filme A Rede Social.

Resumo:
Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), um génio da programação, depois de ter levado uma "tampa" da namorada, resolve fazer um programa de comparação de estudantes (mulheres) universitárias. Este programa tem uma adesão tão grande que ele é convidado a fazer parte de um projecto de site ainda melhor. Contudo, o filme joga com os dois processos que Mark Zuckerberg está a encarar para explicar o que levou à criação do Facebook. Zuckerberg pede ao seu melhor amigo Eduardo que invista económicamente nesse projecto de modo a que o projecto vá para a frente. Por ter tido um sucesso enorme imediato, surgiu uma série de imprevistos pessoais e profissionais. Resta então saber como este jovem milionário se vai "desenrascar" destes processos legais.

    De uma maneira geral, o filme é muito dinâmico - os planos das câmaras, os diálogos, as sequências de imagens, etc. Podemos sentir esta tendência de rapidez logo no início do filme, onde a nossa concentração é testada pela grande velocidade a que a informação nos é transmitida.
    Contudo, a nosso ver, esta rapidez e dinamismo faz todo o sentido tendo em conta o contexto do filme:
  1. A mente de Mark: a cabeça deste jovem criador parece andar a 200km/hora, num turbilhão de ideias para desenvolver ainda mais o seu projecto. Isto reflecte-se também na maneira como fala: o seu discurso é tão rápido que as próprias legendas têm dificuldade em acompanhar.
  2. O século XXI: Nos nossos dias, tudo passa a correr. Aliás, nós próprios andamos sempre a correr de um lado para o outro a cumprir prazos e tratar das nossas obrigações, neste estilo de vida tão stressante quanto aquele que Mark parece estar a viver.
  3. O Facebook: O Facebook foi um fenómeno das redes sociais. Num curto de espaço de tempo, milhares de membros aderiram e ajudaram a expandi-lo. De projecto universitário passou a rede social de carácter global.
Por estes motivos faz todo o sentido que tudo neste filme seja tão rápido.
Gostávamos também de realçar a surpresa que foi ver Justin Timberlake (famoso cantor e ex-membro da banda americana NSYNC) representar e, na nossa opinião, fez um óptimo papel.
E mais, os gémeos, na verdade, são um só actor.
Para quebrar a rotina, o filme é dotado de uma série de piadas inteligentes que deixaram a plateia a rir.
    Para terminar, é importante salientar que este filme foi lançado na altura ideal. Se tivesse saído no cinema apenas daqui a um ano ou dois, o impacto jamais seria o mesmo, e já não faria qualquer sentido uma vez que agora há um novo boom de adesão ao Facebook.
    Acreditamos que este filme vá agradar à maioria da população porque vai de encontro a interesses de vários públicos:
  • As classes mais velhas terão curiosidade em conhecer aquilo que os filhos tanto utilizam
  • Os nerds ("marrões") poderão ver no Mark um ídolo e acreditar que também eles poderão construir tal império
  • A generalidade da juventude vai gostar certamente porque, para além de retratar a história de uma das redes sociais que (possivelmente) mais utilizam, conta com cenas de sexo, álcool e festas, romance, piadas e Justin Timberlake.
    No fundo, faz-nos pensar até que ponto somos capazes de abdicar dos nossos amigos e valores para alcançar os nossos sonhos. E como o dinheiro sobe tão rapidamente à nossa cabeça, fazendo-nos pôr em causa até o nosso único amigo verdadeiro...

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