segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Paraíso ou Inferno?

Avanços tecnológicos, paraíso ou inferno?
No Mundo actual sentimos um crescente impacto do Audiovisual na nossa vida. Até que ponto, estes novos avanços são um benefício para o futuro? Várias são as perspectivas e aqui, vamos mostrar-te quais.

Quantas apresentações assististe e na tua cabeça nada entrou? Quantos programas de televisão estupidificaram as tuas conversas, durante semanas? Pois, é disto que estamos a falar!
A televisão, em diversos estudos por todo o Mundo, já mostrou ser um grande aliado nas conversas do dia a dia, mas mostra-se um inimigo no teu desenvolvimento pessoal. Eduardo Prado Coelho mostra-nos que o audiovisual é a ferramenta ideal para ocultar "uma total ausência de ideias" (COELHO, Eduardo Prado: O fio do Horizonte - Jornal Público, 14 de Junho de 2001). O uso dos powerpoints e de falsas ideias tem aumentado cada vez mais nas apresentações, porém não podemos negar que neste campo as novas tecnologias vieram ajudar a uma melhor comunicação e concentração.
De facto, como Prado Coelho afirma, actualmente existe uma “euforia multimédia”. A revista Pública publicou um artigo que retrata exactamente esta temática mas de uma perspectiva diferente. Dimitri Christakis, pediatra e perito nos media e nos efeitos que estes têm na infância e comportamento, elaborou um estudo sobre os problemas de atenção que as crianças dos nossos dias sofrem cada vez mais. Este estudo foi abordado e explorado, de modo a explicar e justificar os rótulos que foram criados em torno das crianças com “défice de atenção”, hiperactividade e dislexia.  Como são considerados como elementos “perturbadores” e com mau rendimento escolar, os pais sentem-se obrigados medicarem-nos com Ritalin – uma anfetamina que ajuda na compensação do défice de atenção. Contudo, segundo Christakis, estes “sintomas” são o resultado de “um processo de adaptação ao novo mundo em que vivemos e em que quase tudo é muito e muito rápido”. E, de facto, é! Hoje em dia vivemos a uma velocidade alucinante, que há décadas atrás não se sentia. Uma das principais causas apontadas é, como seria de esperar, a televisão. Cada vez mais cedo as crianças são expostas a essa caixinha mágica e ficam a contempla-la durante horas a fio. E, porque é sabido que nos primeiros anos de vida o ambiente em que a criança vive influencia o seu comportamento no futuro, começou-se a ponderar a hipótese de a exposição precoce à televisão originar os tais défices de atenção que se começam a sentir por volta dos 7 anos. O estudo de Christakis consistiu em seguir mais de 2 mil crianças entre 1 e 3 anos de idade, até aos seus 7 anos e perguntar aos seus pais quantas horas de televisão eles iam vendo à medida que os anos passavam. Aos 7 anos, etapa final do estudo, eram feitas perguntas aos pais também sobre a capacidade de concentração das crianças, se eram ou não impulsivos e se se distraiam facilmente. Christakis concluiu então que “independentemente do que vê (...) uma criança antes dos três anos, que veja 2 horas de televisão por dia tem mais 20% de probabilidade de desenvolver défice de atenção, do que outra que não tenha sido tão exposta à televisão”. É até aos três anos de idade que se faz quase que a criação da mente, uma “montagem” e se nesta fase formos expostos à televisão, sofremos uma “sobre-estimulação virtual”. Isto pode então querer dizer que, na verdade, ao invés de ser uma doença, será uma espécie de “marca geracional” na medida em que estes ‘sintomas’ poderão ser apenas “novas competências apropriadas a este novo século”. Com a rapidez das imagens transmitidas na televisão e até mesmo nos vídeo-jogos, estas competências são hiper-estimuladas e, consequentemente, embora seja muito difícil para estas crianças resolver tarefas que exijam mais concentração, têm uma “enorme coordenação visual-motora”.
Outro autor que vai de encontro a esta teoria é Steve Johnson na obra Tudo o que é mau faz bem onde, a partir do conceito de “Curva de Sleeper”, afirma que a cultura popular trouxe um grande role de benefícios para o nosso desenvolvimento cognitivo porque se tornou “mais complexa e estimulante para o nosso intelecto” ( JOHNSON, Steve: o Tudo o que é mau faz bem, pp.11). Contudo, isto acontece de forma quase imperceptível através de, por exemplo, televisão e vídeo jogos. Assim, “as formas mais denegridas de diversão de massas (...) são um alimento para o espírito" (pp20).
 
Esperemos que este estudo vos tenha interessado e que nos dêem algumas opiniões acerca deste estudo tão polémico a nível mundial!
 
Cérebro em fuga, ou alto rendimento infantil?
 
B.C.M.V

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