domingo, 31 de outubro de 2010

Uma aula diferente...

    Esta quarta-feira tivemos uma aula diferente do habitual… Ao chegarmos à sala, vimos de imediato um senhor de meia idade e com traços estrangeiros. Keith Stafford, de seu nome, é um jornalista especializado em jornalismo financeiro baseado em case studies. Stafford possui um longo e rico currículo, sendo que realçamos o facto de ter trabalhado para a Reuters mais de três décadas e de actualmente andar pelo mundo fora a dar “aulas” (ou pequenas palestras, se assim quisermos) sobre jornalismo e assuntos da área da comunicação.
    Nesta sua palestra, Stafford deu-nos uma perspectiva diferente do mundo do jornalismo ao partilhar a sua experiência profissional connosco, tendo-nos também presenteado com alguns conselhos bastante úteis para o nosso futuro nesta área.
     Tudo começou com um simpático “Hey journalists!!
Para começar, fomos familiarizados com o código de conduta da MSN (empresa com a qual teremos a oportunidade de trabalhar ao longo do semestre). Este código de conduta assenta numa série de compromissos, nomeadamente para com a verdade, transparência, integridade, independência, privacidade e qualidade e é o pilar mais importante que teremos de seguir.
    Stafford realçou que não existe uma lei que proíba estes artigos. Contudo, ainda que não sejamos julgados no Tribunal, a nossa pena é pesada porque seremos julgados na praça pública pelos nossos leitores. Aqui entra a questão da verdade e confiança: se quebrarmos os votos de transparência, rigor, etc, corremos o risco de induzir os leitores a dados erróneos e os leitores perderão a confiança em nós.
Embora seja um debate activo no mundo do jornalismo, não existe uma versão definitiva e absoluta de um facto. O que existe, sim, são interpretações dos factos e cabe, então, ao jornalista fazer a leitura dessas múltiplas interpretações/verdades e escolher a que lhe parecer a mais perto da realidade.
     Esta questão levou a outra de igual importância – “ The Basis of Truth” (As Bases da Verdade) sendo que a mais importante é a precisão (accuracy). Para nos demonstrar a importância de sermos precisos, realizou um exercício bastante simples: ler uma frase de três linhas (em inglês) em silêncio e contar o número de vezes que a letra F aparecia na frase. Depois,  constatamos que os resultados variavam bastante (entre 2 a 6 vezes). Numa segunda tentativa o resultado foi mais homogéneo e quase todos disseram 6 (o resultado correcto), tendo Stafford explicado que isto se devia ao facto de o nosso cérebro não ler a palavra “of”. Assim, se tinha sido tão díficil realizar um exercício tão simples, estava na cara que nos nossos trabalhos temos de ler imensas vezes para ter a certeza que está tudo correcto.
     Após este exercício apresentou-nos a estrutura que utiliza para escrever os seus artigos/peças jornalísticas e que ele acredita ser um modelo universal baseado em três parágrafos:
1º - Lead – O que aconteceu? (quem, o quê, quando, onde, porquê e como); dar a palavra-chave já neste parágrafo para prender a atenção do leitor; usar verbos activos poderosos e actractivos e não usar mais de 35 palavras (é o máximo que o nosso cérebro consegue digerir de uma vez só)
2º - Contexto – Explica o porquê de ser importante: estou a escrever este artigo porque …. ; mostrar ao leitor que isto lhe interessa porque tem a ver com ele, o que faz com que haja uma maior ligação.
3º - Golden Quote – Devemos procurar boas citações, porque isto introduz o lado humano. Quando colocamos discursos de outras pessoas, tornamos a história mais excitante, dá uma maior credibilidade.
    Depois de nos ter explicado todos estes elementos, Stafford deu-nos um artigo de jornal e pediu-nos que o lêssemos e que identificássemos erros num curto espaço de tempo. De facto, os erros eram imensos mas, devido à nossa inexperiência, foi-nos difícil encontrar todos. No total haviam 70 erros jornalísticos – deve ser um dos piores textos jornalísticos alguma vez escrito!
     Para terminar, juntamo-nos novamente em grupos e escrevemos um pequeno artigo que contrariasse, o mais possível, as regras que nos foram dadas para escrever um bom artigo. Deste exercício surgiram peças como: “Segundo fontes descredibilizadas, uma pessoa tirou a vida a outra numa cidade algures na Europa (…)”

Desta palestra ficaram então alguns concelhos que partilhamos com vocês:
1- Rever sempre os textos de baixo para cima e da direita para a esquerda (activa o lado esquerdo do cérebro, o que nos permite ler palavra a palavra e detectar erros ortográficos)
2- Não publicar acusações de pessoas que não se identifiquem
3- Não trabalhar sozinho (pedir sempre a alguém que reveja o nosso trabalho – e, se possível, que não seja a nossa mãe ou os nossos mais-que-tudo)
4- Explicar às pessoas os números (porque quando os valores numéricos ultrapassam o nosso salário, não temos a noção daquilo que esse valor “vale” – ex: o equivalente à construção de 2 estádios do Benfica).


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